Angola espera que centro de diamantes seja inaugurado até o final de 2021

Angola espera que a primeira Bolsa de Diamantes do país em Angola entre em funcionamento até ao final de 2021, de acordo com a imprensa local.

Hoje

ALROSA estende contratos de fornecimento de longo prazo com seus clientes

Para apoiar seus clientes em meio à persistente incerteza do mercado, a ALROSA decidiu estender os contratos existentes de fornecimento de diamantes em bruto de longo prazo até o final do primeiro trimestre de 2021.

Hoje

Chamada para a África fazer divulgações de proveniência de diamantes com a geração do milênio

Os países africanos produtores de diamantes têm sido chamados a compartilhar informações sobre o processo de mineração de pedras naturais, já que a geração do milênio está preocupada com as divulgações de proveniência.

Hoje

Produção bruta da De Beers Q3 diminui para 7,2Mcts com baixa demanda

A produção de diamantes em bruto da De Beers diminuiu 4% para 7,2 milhões de quilates no terceiro trimestre de 2019 em comparação com 7,4 milhões de quilates, um ano antes, de acordo com a Anglo American.

Ontem

ALROSA vende diamantes em bruto grandes por $ 8,7 milhões de dólares em Dubai

A ALROSA realizou um leilão de diamantes em bruto de tamanho especial (mais de 10,8 quilates) em Dubai. Este é o primeiro leilão organizado pela empresa nos Emirados Árabes Unidos desde o início da pandemia COVID-19.

Ontem

Consumidores atraídos por joias com diamantes mais do que nunca

21 de setembro de 2020

ali_pastorini_zz.pngAli Pastorini é co-proprietária da Del Lima Jewelry e presidente da Mujeres Brillantes, uma associação que reúne mais de 1.000 mulheres que trabalham no setor de comércio de ouro e diamantes, principalmente da América Latina, bem como da Turquia, Espanha, Itália, e Alemanha. A missão da Mujeres Brillantes é ajudar as mulheres dos setores de joalheria e relojoaria a consolidar seus negócios de forma a intercambiar habilidades e experiências profissionais. No passado imediato, Ali Pastorini também foi vice-presidente sênior do World Jewelry Hub no Panamá.

Nesta entrevista à Rough & Polished, ela fala sobre a situação na indústria de joias no contexto da pandemia de coronavírus COVID-19. 

Como a Del Lima Jewelry se sente em relação à crise causada pela pandemia de COVID-19?

No nosso caso, acredito que ajudou muito a nossa velocidade de compreensão e reação ao que estava acontecendo. Cortamos despesas onde poderíamos cortar, sem afetar a funcionalidade e o serviço aos nossos clientes. Dessa forma, também pudemos acompanhar nossos colaboradores. Tivemos a humildade de aprender com nossos erros do passado e hoje tudo o que planejamos fazer é com a consciência de que o projeto pode dar certo ou errado, o que fará a diferença é a rapidez com que reagimos aos dois cenários.

Uma coisa interessante que aconteceu na Del Lima, é que nossos clientes que costumam comprar peças de alto luxo ainda têm o mesmo "apetite" para comprar essas peças, enquanto os consumidores mais jovens que costumavam comprar peças mais acessíveis foram os que mais reduziram o consumo. ou mesmo não comprou nenhuma peça durante a pandemia. Esses consumidores têm mais medo do futuro e, por isso, optaram por não comprar.

Em termos de vendas e números, Del Lima não foi fortemente afetada, mas o que vai mudar é o nosso comportamento na situação atual. Aprendemos isso antes de usar o virtual como complemento do físico. Hoje entendemos que o digital se tornará o protagonista, não substituirá completamente o físico, mas terá um papel fundamental no crescimento das vendas. E quanto mais rápido uma marca entender isso, mais ela aproveitará para conseguir muitos clientes que estão comprando durante essa quarentena.

Em termos de vendas e números, Del Lima não foi fortemente afetada, mas o que vai mudar é o nosso comportamento na situação atual. Aprendemos isso antes de usar o virtual como complemento do físico. Hoje entendemos que o digital se tornará o protagonista, não substituirá completamente o físico, mas terá um papel fundamental no crescimento das vendas. E quanto mais rápido uma marca entender isso, mais ela aproveitará para conseguir muitos clientes que estão comprando durante essa quarentena. 

Como coproprietária de uma joalheria, conte-nos como é a demanda insatisfeita do consumidor após dois ou três meses de isolamento.

Isso me surpreende, porque no início da pandemia eu acreditava, até falei em uma entrevista sobre isso, que as pessoas diminuiriam consideravelmente o seu poder de compra com a nova realidade. Mas, meses depois, o que nós da Del Lima estamos vendo é uma maior fidelidade aos valores de nossa marca e, consequentemente, uma boa demanda em peças com pedras preciosas como diamantes.

Acredito que tenha sido uma mistura de comportamentos, desde a necessidade de as pessoas quererem consumir já que estavam sendo obrigadas a ficar em casa, até a forma como Del Lima se comportou praticando o marketing positivo desde o início. Houve um período de quarentena em que o número de mortes crescia muito rápido em todo o mundo, e optamos por não postar nada nas nossas redes sociais ou mesmo comunicar aos nossos clientes sobre a marca. Acho que decisões como essa ganharam empatia com nossos clientes e maior fidelidade. 

Porém, como disse antes, foram os consumidores mais jovens ou aqueles que buscavam coleções mais acessíveis (antes da Covid19) que reduziram o valor da compra e em alguns casos não houve compra. Mas percebemos que eles continuam interagindo conosco, o que mostra que eles também aprovaram o comportamento da marca durante a Pandemia, não se apresentando com futilidade e falta de empatia no momento que estamos passando. Percebemos que quando esses consumidores puderem voltar a consumir, eles vão nos procurar porque gostam de saber que estão usando um produto único de uma marca que respeita seu momento e a sociedade. 

Que conselho você daria às empresas do setor sobre como superar a crise com o mínimo de perdas e manter sua competitividade?

Não pense que as coisas não mudaram. Seja humilde ao cortar custos, mas não corte todos os custos onde isso afete a qualidade de seus serviços. Seja transparente com seus funcionários sobre sua situação atual. Não faça promessas neste ano porque ainda não sabemos exatamente o que vai acontecer nos próximos meses.

Procure ou reforce suas parcerias e colaborações. É melhor você ganhar menos do que não ganhar nada e sair do mercado. Sempre disse que, com ou sem crise, a colaboração e a parceria contribuem para muitas coisas dentro de uma marca, desde a redução de despesas até o alcance de novos clientes e a expansão da marca. Nosso setor ainda tem um pensamento individualista, acredito que quando nos permitimos olhar o cenário de uma forma mais ampla isso facilita nos mantermos relevantes no mercado, mesmo na crise.

Os consumidores ainda são atraídos por joias com diamantes?

Mais do que nunca! Esse comportamento por parte do consumidor de joias também me surpreendeu, pois acreditava que esse desejo e essa demanda diminuiriam um pouco durante a quarentena e o consumidor compraria peças com menos diamantes. Mas ocorreu o contrário, acredito que esse comportamento se deva a como o futuro ainda é incerto, o consumidor ao comprar um produto deseja algo que passe de alguma forma segurança e estabilidade no futuro. Ouro e diamantes transmitem essa mensagem de solidez e estabilidade, acredito que isso fez a diferença na decisão do cliente na hora de comprar uma joia com diamantes.

Conversando com colegas do setor, percebi que, assim como minha marca, a maioria que trabalha com joias com diamantes sofreu menos perdas do que joias com outros materiais ou pedras preciosas.

As vendas de diamantes brutos nos últimos meses ainda são muito baixas. Partilha a opinião de que é necessário abrir as fronteiras para retomar o comércio a um nível mais normal? A vacina Sputnik V recentemente registrada na Rússia, pela qual o Brasil já demonstrou interesse, pode acelerar esse processo?

Sem dúvida, abrir fronteiras e permitir que as viagens voltem ao normal aumentará e facilitará os negócios entre os países. Além disso, aumenta o turismo, o que contribui para o aumento do consumo de produtos, principalmente produtos de luxo, uma vez que as pessoas costumam comprar esse tipo de produto quando estão em viagem em vez de comprar localmente. Mas também temos que entender que enquanto as pessoas estão ansiosas para voltar à sua rotina normal, viajar e fazer negócios, elas ainda têm medo desse vírus e por isso preferem esperar pela vacina.

Acho que qualquer vacina, desde que siga as devidas etapas e pesquisas antes de ser aplicada em humanos, será bem-vinda. O que não podemos fazer é a pressa de encontrar o antídoto, de tomar decisões precipitadas e irresponsáveis porque estamos ansiosos para voltar à nossa rotina normal.

Temos que entender que este vírus afetou a vida de muitas pessoas economicamente e, conseqüentemente, o comércio e as indústrias ao redor do mundo. Eu, como empresário, sei o quanto a paralisação deste mês afetará seriamente a economia de muitos países, mas isso não significa que tenhamos que nos apressar e tomar decisões que podem piorar a situação. A vacina, seja qual for o país de origem, precisa ser bem testada para não correr o risco de não ser eficaz e em poucos meses estaremos todos novamente em isolamento social.

Como você acha que os preços no mercado de diamantes podem ser sustentados a médio e longo prazo?

Estou vendo um movimento de novas plataformas em busca de soluções para esse tema. Na verdade, na plataforma Business Talk que conduzi durante a quarentena através do meu Instagram @ali_pastorini, debates com os criadores de algumas dessas plataformas.

Acho que em um momento como este, o bom senso de todos os lados é o mais adequado. Não sei se na prática quem ler esta entrevista vai perceber que todos os lados devem ceder um pouco, mas espero que talvez pelo momento atípico que vivemos haja essa consciência de negociar e compreender o outro lado. Se as empresas não virem isso, aos poucos vão perdendo seus clientes, pois com o surgimento de novas empresas oferecendo outras possibilidades de negócios e por preços mais competitivos, acho que a empresa que insiste em fazer negócios como antes da Covid19 não vai perder apenas médio ou longo prazo, mas também permanente.

Podemos esperar mais crescimento nas vendas online de diamantes e joias?

Com certeza! É bom entender que as vendas digitais vieram para ficar, antes da Covid19 poderíamos questionar quando todas as empresas iriam se tornar digitais e estar no mundo virtual. Agora que mudou esse debate, estamos falando de uma realidade que já está presente e que vai crescer e fazer parte da vida do consumidor.

Como eu disse antes, não acho que o digital substituirá completamente o físico, porque as pessoas ainda vão querer se ver, vão querer visitar sua loja, vão querer tocar nas joias antes de comprar e vão querer receber um serviço especial que uma loja oferece, por isso é fato que ela não vai substituir, mas terá um papel importante na interação com seu cliente, construção de relacionamento, comunicação pós-venda e lançamento simultâneo em diversos países. Contribuirá também para a compra de diferentes produtos ao mesmo tempo e até na forma de encomendar algo mais especial. Por isso digo, que embora não substitua e não tenha a magia que uma experiência física proporciona, não quer dizer que deva ser ignorada e menos investida, afinal será a sua “porta de introdução” a novos clientes e construir sua lealdade com sua marca.

Consequentemente em números isso levará a um aumento nas vendas online, pois o cliente criará confiança na compra offline ou online de seu produto, ou seja, sua lista de clientes aumentará quando você permitir que sua marca esteja nos dois canais.

Não vejo este tema como motivo de receio para os joalheiros, considero este tema uma grande oportunidade para obter mais clientes e vender mais.

COVID-19 provavelmente afetou a agenda da MUBRI também. Quais são seus planos para o futuro próximo?

Adaptamos o Encontro Mundial deste ano para virtual. Todos os anos celebramos o Encontro Mundial em algum país, este ano quando percebemos que as coisas não voltariam ao normal tão cedo decidimos nos apresentar virtualmente. Será nos dias 02, 03, 04 de outubro com webinars com os melhores profissionais do setor dos mais diversos países, e em paralelo haverá uma exposição virtual com 75 marcas da Associação de países das Américas, Europa e na Ásia.

Apesar dos desafios, com esta decisão notamos um aumento do número de inscrições de joalheiros na Associação, que antes nos Encontros Anuais levávamos 40 joalheiros ao Encontro, agora estaremos com a maioria dos nossos associados participando. Então eu vejo o saldo com isso mais positivo do que negativo.

Alex Shishlo para a Rough&Polished